Ok, foi eliminado do Big Brother, sua família, suada, espera fora do confinamento. Dê um abraço no Bial, faça a entrevista pelo chat da Globo e vá para casa aguardando convites para festas. Você irá tirar fotos com desconhecidos, provavelmente fazendo o sinal da paz com os dedos, seu Orkut será mais visitado e mulheres ou homens talvez pulem na sua cama. Delícia, né?
Quero dizer: ninguém vive eternamente de festas. Por mais que seja possível ganhar dinheiro com presença em eventos de semiartistas, não dá pra viver de salgadinhos e champanhe. É preciso trabalhar. Acredite: não dá pra incluir a experiência do Projac no currículo para aquela vaga como auxiliar de escritório.
Ex-BBB poderia até ganhar seguro-desemprego. Os ricos não se incomodam com as pseudossubcelebridades em suas festas cobertas pelo Amaury Jr; os pobres têm aquela certa fascinação por quem aparece na TV e problemas bem mais sérios do que ter raivinha baratas. Mas a classe-média, essa sim, não perdoa, e não aceita esses membros de volta. Sair da casa do Big Brother é mais ou menos como sair da prisão. Além do confinamento em comum, você perde uma boa dose de crédito com esse setor da sociedade.
Afinal, entre demitir um ex-BBB e um funcionário comum, quem o chefe preferiria mandar embora? O ex-reality-show, claro, só para poder dizer: “você está eliminado” e contar para os amigos, sentindo-se uma pontinha de Pedro Bial em sua face proletária.
Além disso, as pessoas viram você por semanas na televisão. Já viram sua roupa mais íntima, a cara de sono e imaginam seu mau hálito matinal. Os futuros interessados já viram a cicatriz da sua cesariana e sabem que há um certo acúmulo de celulite na coxa esquerda. Não há muito segredo. Se você era vilã da história, poderia ser condenada a passar a vida dizendo: “era só uma estratégia de jogo”.
Então, como lidar com essa etapa pós-fama? Como ficar realmente fora do radar social e da inspeção da classe-média? Simples: sumir. Não falo em sair do país. Nem sempre o aeroporto internacional é a melhor saída. Mas virar um ilustre desconhecido, que é uma boa maneira de usar um pouco do dinheiro que ganhou e levar uma vida regular e, até feliz, já que estamos todos sujeitos à infelicidade, participantes ou espectadores do BBB.
As pessoas mais felizes com o fim do Big Brother, tirando a Rede Record, a Grazi e os vencedores milionários, são os participantes que não precisaram ficar correndo atrás da mídia, soltando release pra avisar que tinham mudado a cor do cabelo ou implorando participação em programas vespertinos de fofoca.
O anonimato é subestimado. Ele permite que você possa recomeçar sua vida quantas vezes quiser, onde estiver, e como puder. Transitar no meio do povo sem ser reconhecido ajuda a reparar erros e se tornar uma pessoa melhor do que antes, fora da observação social do público. Sendo você, e não quem as pessoas esperam que você seja, fica mais fácil recomeçar.
Agora imagine o desafio de fazer isso após grande exposição em nível nacional? Entre os vários reboots e deletes que damos em nossas vidas, estes são os botões e opções que realmente valem mais que um milhão de reais.