Aprovado em comissão eleitoral, sigla quer seguir campanha de democrata.
Geralmente sexo e política só são citados em uma mesma frase quando se trata de algum novo escândalo sexual envolvendo políticos. Porém, na Austrália, o recém-criado Partido do Sexo pretende apimentar um pouco mais essa relação e levar o assunto para o Parlamento do país.
Com o slogan “Nós levamos sexo a sério”, a nova sigla foi criada em novembro como forma de combater a proposta do governo de estabelecer um filtro para a internet, que pretende bloquear o acesso a uma lista de cerca de 10 mil sites com conteúdo considerado impróprio.
Aprovado como partido político pela Comissão Eleitoral Australiana na semana passada, o partido quer agora chegar ao Senado. Para tanto, se inspira na campanha vitoriosa de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.
Candidata
Estilista e funcionária de empresas de diversão adulta, ela confia nos mais de 2 mil membros que já aderiram ao partido nos últimos meses para conquistar uma das cadeiras do Senado, nas eleições de março.
Entre os possíveis eleitores, a fundadora do Partido do Sexo contabiliza, além dos filiados, o público adulto simpatizante do partido na internet que, segundo ela, pode ajudar a divulgar as idéias da sigla a até 30% da população australiana.
Combate à censura, educação sexual nos currículos escolares, políticas de igualdade entre os sexos e direitos gays estão entre as bandeiras da agremiação. O site do Partido do Sexo lista algumas razões para se tornar um filiado: “Como um membro do Partido do Sexo você estará ajudando a eleger legisladores que gostam de sexo e não têm medo de apoiar outros no caminho por uma vida sexual plena.”
“Na Austrália, nossos políticos estão se tornando cada vez mais conservadores em matéria de sexo e sexualidade. Temos muitos cristãos fundamentalistas no Senado. O Partido do Sexo australiano pode ser uma voz de combate a este conservadorismo”, discursa Fiona Patten.
Uma das vantagens do partido, ela diz, é que “dificilmente” seus membros serão envolvidos em algum escândalo sexual. “Escândalos sexuais acontecem porque geralmente os políticos dizem uma coisa e fazem outra. Nós não temos razão para hipocrisia.”
Constrangidos
A falta de interlocução com os políticos locais, segundo Patten, foi uma das razões para a criação do partido. “Infelizmente, até agora muitos políticos australianos têm dificuldade em discutir temas sexuais de maneira positiva ou progressista. Eu tenho falado com políticos sobre a indústria do sexo nos últimos 20 anos e, num primeiro momento, eles geralmente riem ou ficam constrangidos”, diz.
Ela compara a escalada do conservadorismo no país, junto com a proposta de criar filtros para a internet também combatida por outras organizações com “algo semelhante ao que acontece atualmente na China”. Na última sexta, o país asiático recuou do plano para criar um filtro na internet.
“O governo propôs que todo conteúdo sexual fosse bloqueado pelos provedores, não apenas para crianças, mas adultos também. Eles acreditam que isto atingiria 10 mil sites, mas eles obviamente não têm acessado a internet nos últimos tempos. Uma proposta de um filtro para a internet é um grande exemplo de por que nós precisamos de um Partido do Sexo”, afirma.